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Da Rocha Mãe ao Solo


A ilha da Madeira localiza-se em termos geotectónicos no interior da placa litosférica Africana, na terminação SW de um alinhamento de montes vulcânicos imersos. As massas emersas que corporizam a Madeira e o Porto Santo constituem um exemplo típico de magmatismo oceânico intraplaca, com génese associada a um hotspot derivado de uma pluma mantélica (uma corrente colunar ascendente de material sólido).  

A ilha da Madeira teve a sua génese na Era Cenozoica, com as primeiras erupções a ocorrerem no Miocénico (com idades superiores a 5,7 milhões de anos) e as derradeiras no início do Quaternário (há cerca de 6000 anos).  

O facto de ainda persistirem reminiscências secundárias de vulcanismo na Madeira considera-se que a ilha está a atravessar um período de acalmia em termos de atividade vulcânica e não extinção vulcanológica.  

Foram identificados 3 complexos vulcânicos principais (Inferior, intermédio e superior) que, na atualidade, encontra-se em fase erosiva. 

A configuração geomorfológica da Madeira é consequência da forma, estrutura e idade do edifício vulcânico que esteve na base da sua génese, bem como das litologias (mais ou menos resistentes aos agentes erosivos) que o edificaram e, ainda, do tipo e intensidade dos agentes externos (associados ao clima característico da região) que implacavelmente promovem o desgaste das formações rochosas.  

A Madeira apresenta um relevo bastante acidentado em virtude da resiliência diferencial das rochas máficas (com os materiais de natureza piroclástica a serem mais facilmente desgastados do que os de carácter efusivo ou lávico) aos diversos agentes erosivos como é o caso da chuva, do vento e das amplitudes térmicas. 

Existem vales muito escavados e profundos e picos a altitude considerável, como o Pico Ruivo, a 1862 metros, e o Pico do Areeiro com 1818 metros.  

A nível geomorfológico, há a realçar, a ocorrência de leques lávicos (Seixal), fajãs detríticas (por exemplo a fajã do Cabo Girão) e fajãs lávicas, como é o caso do Porto Moniz. 

Finalmente, toda a rede hidrográfica da Madeira apresenta-se em plena fase de juventude, com predomínio da erosão vertical, reduzida erosão lateral das vertentes, perfil longitudinal em grande declive e grande capacidade de transporte. 

 

Neste local em particular podemos observar a ação dos agentes erosivos na meteorização e erosão deste afloramento, constituído por rochas vulcânicas, umas mais vulneráveis do que outras, daí a razão de se formarem estas “bolas” de natureza basáltica que resultaram da meteorização mais intensa da rocha encaixante ou matriz, ficando estes blocos de basalto destacados, os quais se alteram de fora para dentro gradualmente, formando-se camadas concêntricas, semelhantes a cascas de cebola, este fenómeno é designado de disjunção esferoidal e é comum ocorrer em Portugal continental em regiões onde predomina o granito, que como sabem também é uma rocha magmática, mas plutónica/ intrusiva. 

Neste afloramento consegue-se perceber a formação do solo a partir da rocha mãe, pela ação dos agentes de geodinâmica externa (chuva, vento, temperatura,…) que conduzem à meteorização física das rochas e também química, ocorrendo reações de oxidação por ação da água da chuva nestas rochas vulcânicas ricas em minerais ferromagnesianos, daí as tonalidades amareladas que este perfil de solo apresenta, evidenciando-se apenas os horizontes O, A, C e a rocha mãe. 

No topo podemos ainda reparar na ação das raízes das árvores que também contribuem para a alteração das rochas.