Estamos em frente à Câmara Municipal de Santana. Santana foi povoada pela 1.ª vez por volta do ano 1550 com minhotos de Braga, oriundos do norte de Portugal continental. Por isso há a alcunha dos habitantes locais serem os “Bragados”.
Câmara Municipal de Santana
2 de junho de 1564 – A freguesia de Santana é criada por alvará régio (inicialmente sob a capitania-curato), com sede na Capela de Santa Ana. Esta freguesia é a base administrativa que levará à criação do município futuramente.
Século XIX — Criação do Município
- 1832 – O Município de Santana é criado formalmente como unidade administrativa.
- 1835 – O município é instalado oficialmente, com o seu primeiro provedor e administrador nomeado (Luís Augusto Acciaioli), que vai desempenhar cargos na região por mais de 50 anos.
1850s–1860s — Reorganização administrativa
- 15 de outubro de 1852 – A freguesia de Porto da Cruz é desanexada de Santana e anexada ao município de Machico.
- 10 de dezembro de 1867 – O município é teoricamente extinto por decreto durante uma reforma administrativa – mas essa extinção não chega a ser executada na prática e Santana mantém-se como concelho.
Século XX — Consolidação administrativa
- 5 de julho de 1955 – Um decreto (n.º 40.221) fixa os limites territoriais atuais do município de Santana, estabelecendo a configuração das freguesias que hoje conhecemos.
Viagem do milénio — Cidade e transformação
- 6 de julho de 2000 (Decreto legislativo regional, publicado em 6 de julho no Diário da República) – Santana é oficialmente elevada à categoria de cidade.
- 1 de janeiro de 2001 – A elevação a cidade entra em vigor.
- A Câmara Municipal de Santana é a autoridade autárquica responsável pelo governo local do município e tem sede no Sítio do Serrado, na cidade de Santana. Atualmente, a autarquia desenvolve funções administrativas, planeamento urbano, obras municipais, serviços sociais e promoção cultural e ambiental do concelho.
Lista dos presidentes da Câmara Municipal de Santana (Ilha da Madeira, Portugal) ao longo da história recente (pós-1952):
- Manuel Marques da Trindade (1952–1964)
- Manuel Mateus Lourenço de Gouveia (1964–1974)
- Comissões Administrativas – Maciel Jardim Camacho e Jaime Feliciano de Freitas (período transicional) (1974–1977)
- Manuel Agostinho Pereira de Nóbrega (1977–1982)
- Nicolau Gregório de Freitas (1983–1985)
- Luís Idoarte de Freitas (1986–1987)
- Carlos de Sousa Pereira (1987–2009)
- Rui Moisés Fernandes de Ascensão (2009–2013)
- Teófilo Alírio Reis Cunha (2013–2019)
- Márcio Dinarte da Silva Fernandes (2019–presente; reeleito para 2025–2029)
Edifício dos Paços do Concelho
- O edifício da Câmara Municipal constitui um marco da administração local moderna, simbolizando a consolidação do poder autárquico após o século XIX.
- Embora não seja um edifício medieval, integra elementos arquitetónicos e funcionais típicos das casas consistoriais portuguesas do século XX, com espaços destinados ao executivo, assembleia e serviços administrativos.
Símbolos heráldicos do município
- Brasão, bandeira e selo municipal, aprovados segundo as normas heráldicas portuguesas. Estes símbolos estão visíveis no edifício municipal.
- O Brasão incorpora referências identitárias do concelho, ligadas:
- À ruralidade;
- À paisagem natural;
- À tradição agrícola e florestal do norte da Madeira.
- O Brasão é o principal símbolo heráldico do concelho e segue as regras da heráldica municipal portuguesa.
Elementos principais:
- Escudo: de formato português.
- Motivos naturais e agrícolas: representam a forte ligação do concelho:
- À terra,
- À floresta,
- À agricultura tradicional (especialmente a produção rural do norte da Madeira).
- Referências identitárias: evocam a paisagem verdejante e o carácter serrano do território.
- Coroa mural:
- De cinco torres, indicando o estatuto de cidade.
- Significado
- O brasão simboliza:
- A identidade rural e natural de Santana;
- A continuidade histórica do município;
-
- A autonomia e dignidade do poder local.
Bandeira Municipal
A bandeira de Santana é composta segundo o padrão tradicional dos municípios portugueses.
Características
- Formato esquartelado, com cores retiradas do brasão;
- Brasão ao centro, elemento unificador;
- Utilizada:
- Em edifícios públicos;
- Em cerimónias oficiais;
- Em eventos protocolares e comemorativos.
Função simbólica
Representa:
- O concelho enquanto comunidade política;
- A presença institucional da Câmara Municipal.
Selo Municipal (Selo Branco)
O selo branco é o símbolo heráldico de uso administrativo.
Utilização
- Documentos oficiais;
- Atas;
- Certidões;
- Correspondência institucional.
Composição
- Contém o brasão municipal e a designação oficial do município;
- Garante a autenticidade e validade jurídica dos atos camarários.
Numa das paredes da Câmara Municipal de Santana existe a imagem de um santo: Santa Ana (Sant’Ana), figura religiosa intimamente ligada à história e à identidade do concelho.
A imagem de Santa Ana na Câmara Municipal:
- Representa a memória das origens do concelho;
- Evoca a ligação entre o poder civil e a história espiritual da comunidade;
- Simboliza valores como:
- proteção,
- sabedoria,
- cuidado com as gerações futuras.
Mesmo num edifício laico, esta imagem assume um papel cultural e histórico, mais do que religioso.
O concelho de Santana, apresenta particularidades únicas a nível natural, cultural, histórico,… daí ser considerado desde 2011 como Reserva da Biosfera pela UNESCO. Uma Reserva da Biosfera é um local que pretende conciliar a conservação da diversidade natural e cultural com o desenvolvimento social e económico local, vivendo o homem em harmonia com a natureza.
Também nesta paragem vemos a aplicação dos recursos geológicos, nomeadamente neste edifício da Câmara Municipal de Santana, onde podemos distinguir 2 tipos de litologias, uma de tonalidade cinzenta escura, já encontrada na igreja Matriz de Santana e no fontanário, vulgarmente designada de cantaria rija e que se formou a partir de erupções mais efusivas, o basalto ou traquibasalto e outra de tonalidade avermelhada designada de cantaria mole e constituída por piroclastos, nomeadamente tufos de lapilli resultantes de erupções explosivas.
No pavimento encontramos novamente calçada madeirense, de calhau rolado, com forma discoidal ou ovóide, o que facilitava o transporte pelas carroças. Estes calhaus maioritariamente de basalto são provenientes de praias ou leitos de ribeiras, apresentam muitos dos motivos dos pontos do Bordado da Madeira, aproveitados e reproduzidos pelos calceteiros na decoração da Calçada Madeirense, em autênticas obras de arte. Os calhaus de tonalidade clara são calcários recifais provenientes de S. Vicente. A Calçada Madeirense constitui uma autêntica referência histórica e patrimonial do Arquipélago da Madeira e representa bem a singularidade em termos de geodiversidade dos territórios insulares, sendo um património artístico único no mundo que precisa de ser preservado e valorizado.
Do outro lado da estrada vemos calhau partido, este tipo de pavimento provoca maior atrito, é menos escorregadio, causa maior conforto aos transeuntes, permite a poupança em material geológico e facilita atualmente o transporte.
Neste local também podemos observar várias Casas de Colmo, imagem de marca da ilha da Madeira. Outrora este tipo de construção à base de madeira e de colmo era o mais usual em toda a ilha, eram habitações de pessoas humildes, normalmente agricultores, que não tinham posses para adquirir materiais considerados mais nobres. Apesar de a cobertura destas casas ser feita apenas com materiais naturais, a sua acentuada inclinação faz com que as águas das chuvas escorram e não se infiltrem, garantindo assim, a sua impermeabilidade, para além disso estes materiais garantem, também, a manutenção de temperaturas amenas, no seu interior, tanto no inverno como no verão.
Acredita-se que são vestígios das construções primitivas trazidas pelos primeiros colonos portugueses, adaptadas às condições específicas do arquipélago: escassez de pedra sólida, abundância de madeira e necessidade de abrigar famílias rurais pobres. Quando a ilha foi descoberta (por volta de 1419), os colonos trouxeram técnicas construtivas do continente que foram ajustadas ao novo ambiente — especialmente no norte húmido e montanhoso onde Santana está localizada.
O cultivo de cereais, como trigo ou centeio — além de alimentar a população — fornecia a matéria-prima para os telhados de colmo, uma solução barata, funcional e eficiente para o clima húmido.
Forma e materiais
O traço mais marcante é a forma triangular com telhado de colmo que desce quase até ao chão, criando paredes inclinadas capazes de drenar rapidamente a água da chuva — essencial num clima com precipitação frequente.
A moradia tradicional era feita principalmente de madeira, com estrutura simples e cobertura em palha de cereal.
Distribuição interna
- Térreo: área de estar e dormitórios principais.
- Sótão (loft): usado para guardar produtos agrícolas, sementes e mantimentos.
- Em muitos casos, a cozinha estava numa construção separada, para reduzir o risco de incêndio, dado o uso intenso de colmo inflamável nos telhados.
Ao longo do século XX, com a introdução de materiais modernos e melhorias no padrão de vida, o uso do colmo como principal cobertura foi progressivamente abandonado. Até há cerca de 60 anos, o colmo ainda era a opção preferida em muitas habitações rurais, especialmente entre as populações com menos recursos. Hoje, a maioria das casas originais já não serve como habitação habitual e muitas foram adaptadas ou preservadas como símbolos culturais.
Atualmente, as casas de colmo são um dos principais ex-libris da Ilha da Madeira — ícones reconhecidos internacionalmente e presença constante em materiais promocionais do destino. Estão espalhadas sobretudo no centro de Santana, onde algumas foram restauradas ou recriadas para fins turísticos e culturais. O município e instituições ligadas ao património promovem iniciativas de recuperação e cultivo de cereal para produzir colmo, de modo a manter a tradição e conservação destas estruturas.
As casas de colmo representam:
- A resiliência das comunidades rurais
- A relação íntima entre homem, natureza e território
- Um modelo de sustentabilidade pré-industrial
- A memória material da pobreza digna e do trabalho coletivo
São, acima de tudo, arquitetura da sobrevivência.
