Vídeo de apresentação da paragem
Estamos em frente à Câmara Municipal de Santana.
A ocupação desta região intensificou-se ao longo do século XVI, com a chegada de colonos oriundos de várias regiões de Portugal continental, sobretudo da região de Braga (vídeo 1).
Dessa forte influência nasceu a alcunha pela qual os habitantes de Santana ainda hoje são conhecidos: os "Bragados" .
A 2 de junho de 1564, a freguesia de Santana foi criada por Alvará Régio, tendo como sede a Capela de Santa Ana.
Este acontecimento constituiu a base para a criação do concelho, em 1835, no âmbito da reforma administrativa liberal.
Em 1955, o Decreto n.º 40 221 definiu os atuais limites territoriais do concelho e, através do Decreto Legislativo Regional n.º 9/2000/M, Santana foi elevada à categoria de cidade, estatuto que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2001.
Edifício da Câmara Municipal
O edifício da Câmara Municipal apresenta características típicas da arquitetura institucional portuguesa da primeira metade do século XX, conjugando funcionalidade e elementos decorativos próprios das antigas casas consistoriais.
O brasão municipal, principal símbolo heráldico do concelho, representa a ruralidade, a riqueza natural e as tradições agrícolas e florestais do norte da Madeira.
Numa das paredes do edifício destaca-se ainda a imagem de Santa Ana, padroeira da freguesia.
Reserva Mundial da biosfera
O concelho distingue-se pelas suas excecionais características naturais, culturais e históricas.
Em 2011 foi reconhecido pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera distinção atribuída a territórios que conciliam a conservação da natureza e do património cultural com o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
Litologias do edifício
Na construção do edifício distinguem-se duas litologias principais.
A primeira é a cantaria rija, de tonalidade cinzento-escura, também observável na Igreja Matriz e no Fontanário, constituída por basalto ou traquibasalto.
A segunda é a cantaria mole, formada por materiais piroclásticos, sobretudo tufos de lapilli.
Calçada Madeirense
No pavimento encontramos novamente a Calçada Madeirense, executada com calhau rolado, maioritariamente basáltico, formando desenhos inspirados no Bordado Madeira, destacando-se o motivo da Concha de Santiago, também conhecida como leque.
A Calçada Madeirense constitui uma autêntica referência histórica e patrimonial do Arquipélago da Madeira e representa bem a singularidade em termos de geodiversidade dos territórios insulares, sendo um património artístico único no mundo que precisa de ser preservado e valorizado.
Do outro lado da estrada observa-se um pavimento em calhau partido, conhecida localmnete por "calçada madeirense de calhau partido", cuja superfície oferece maior aderência, reduz o risco de escorregamento e permite um aproveitamento mais eficiente do material geológico.
Casas de Colmo
As Casas de Colmo, um dos maiores símbolos da Madeira.
As suas coberturas são construídas com materiais naturais (colmo - caule do centeio e do trigo), e apresentam forte inclinação, assegurando, assim, o rápido escoamento da água da chuva e ajudam a manter temperaturas amenas no interior das habitações.
Estas construções representam uma evolução das habitações rurais introduzidas pelos primeiros colonos, adaptadas à escassez de pedra e à abundância de madeira existente na ilha.
O cultivo de cereais, como o trigo e o centeio, fornecia o colmo utilizado na cobertura dos telhados, uma solução económica e particularmente adequada ao clima húmido da Madeira.
O piso térreo destinava-se à habitação, enquanto o sótão servia para armazenar produtos agrícolas.
Em muitos casos, a cozinha era construída num edifício separado, reduzindo o risco de incêndio associado às coberturas de colmo.
Atualmente, a maioria destas casas deixou de ser utilizada como habitação permanente, mas foi recuperada e preservada como património cultural, constituindo um dos principais ex-líbris da Madeira.
O Município de Santana continua a promover a sua preservação através de programas de recuperação e do incentivo ao cultivo de cereais destinados à produção de colmo.






